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O Cap

quarta-feira, outubro 23, 2013

Este Verão, o Tiago, 8 anos, disse que queria um cap. Eu não sabia o que era um cap. "O que é um cap, Tiago?"

"É um chapéu, mamã."

Gostei da ideia. Era sempre uma fita enorme para usar chapéu. O do Buzz era para miúdos, o do Faísca era para bebés, o chapéu xadrez dava-lhe estilo, mas na escola gozavam, por isso fiquei entusiasmada quando me disse que queria isso, o tal cap.

E fiquei entusiasmada até ver o cap. Um cap tem uma pala direita, pode ter ou não abertura atrás e, resumindo, faz com que pareça que o Tiago tem a cabeça três vezes maior do que é.

E, para além de ser simplesmente horrível, custa um balúrdio. Foi por aí que peguei. "Não te vou dar 40€ para comprares esta coisa horrível." Mas a conversa não pegou. "Tudo bem. Eu abro o meu mealheiro e compro." Fiquei sem argumentos. O mealheiro é para isso, para ele comprar o que quer. 

Corremos as lojas todas do centro comercial perto de casa. Todos grandes. Yeahhhhh!

Dias depois voltámos. Saquinho de moedas e poucas notas na mão. E eu a fazer figas para que aquilo só houvesse para miúdos grandes. 

Até que junto à porta de uma das lojas lá estava ele, o cap. Os olhos do Tiago brilharam de felicidade. Comprou. Sim, é verdade que é maravilhoso ver a felicidade estampada na cara do meu filho, é verdade que este Verão nunca foi preciso dizer-lhe para não sair de casa sem chapéu - este ano foram mais as vezes em que tive que dizer que não se come de chapéu, que não se anda de chapéu em casa, que não se está na sala de cinema de chapéu... -, mas eu não me conformo: aquilo é horrível e o meu filho fica com a cabeça 
três vezes maior. 

Aos 8 anos, o Tiago usa um cap porque "tem muito estilo". Estou feita.




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