Retinopatia da prematuridade atinge 0,5% dos bebés que nascem em Portugal

quinta-feira, novembro 07, 2013

A retinopatia da prematuridade (RP) é uma doença que afecta a retina em desenvolvimento, essencialmente dos recém-nascidos de muito baixo peso, RNMBP ou grandes prematuros (respectivamente menos de 1500 gramas e menos de 32 semanas de gestação) e que, se não for devidamente diagnosticada e tratada, pode levar à cegueira, lembra a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), na semana em que se assinala a o Dia Mundial da Prematuridade. Em Portugal nascem, por ano, mais de mil bebés grandes prematuros e nos últimos anos registou-se um aumento entre 20 a 30 % deste tipo de nascimentos, avança comunicado de imprensa.

 “Inicialmente a retinopatia da prematuridade caracteriza-se pela paragem do desenvolvimento normal da rede de vasos da retina e numa segunda fase pelo aparecimento de vasos anormais que, progredindo em direcção interior do globo ocular (vítreo), levam ao descolamento da retina e à cegueira numa percentagem significativa destas crianças”, afirma Paulo Vale, coordenador do Grupo de Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo da SPO.

O especialista revela que “actualmente, a incidência da RP é de aproximadamente 50% nos RNMBP, representando estes 1% do total de nascimentos. A RP é a primeira causa evitável de cegueira infantil nos países desenvolvidos, correspondendo a 14% das causas de baixa visão”. Com os avanços na área da neonatologia, que têm permitido a sobrevivência de prematuros de mais baixo peso e menor tempo de gestação, a incidência da RP tem-se mantido estável, deixando no entanto de afectar os RN maiores para se apresentar em formas mais graves nos mais pequenos”.

Apenas uma pequena parte das crianças com RP necessita de tratamento, uma vez que na maioria dos casos, a RP acaba por regredir espontaneamente. Actualmente, o tratamento é feito com laser e nas 48 horas após o diagnóstico da doença pré-limiar de alto risco.

Já a prevenção desta patologia tem por base o rastreio da RP segundo protocolos internacionais bem estabelecidos. “É absolutamente necessária a existência de oftalmologistas com experiência na utilização da oftalmoscopia indirecta e sua utilização em neonatologia, capazes de reconhecer a localização e sinais progressivos da RP e identificar com a máxima acuidade os candidatos ao tratamento num vasto grupo de RP em risco”, defende o coordenador do grupo de oftalmologia pediátrica. Como a referenciação dos RN prematuros para serviços diferenciados aumenta a morbilidade devido ao transporte, a telemedicina pode ter aqui um papel importante, pela recolha de imagens e envio para centros especializados para identificação dos doentes que requeiram tratamento.

Paulo Torres, presidente da SPO, considera que “o rastreio e tratamento atempados visam evitar no imediato a evolução desfavorável da RP, que leva ao descolamento da retina e à cegueira.

Contudo, é frequente haver, apesar da evolução favorável da RP, complicações futuras, tais como miopia, ambliopia, estrabismo, descolamento da retina, pelo que a SPO considera a RP uma doença para a vida, recomendando assim um seguimento oftalmológico regular das crianças e adultos prematuros”.





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