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“Já não gosto de ti!”

sexta-feira, maio 16, 2014



A Joana, criança alegre e saudávelmente destemida, no alto dos seus cinco anos, puxa pelo seu ar mais sério e atira para a Mãe um inesperado: “ Já não gosto de ti!”.

A Mãe sabe que a Joana não gosta de ser contrariada, que não gosta de desligar os desenhos animados e ir para a cama mas a Mãe também sabe que a Joana precisa de horas certas para descansar.

Estremeceu com a frase inesperada, diferente do “só mais um bocadinho”, duvidou alguns segundos, mas rápidamente o bom senso e o coração de Mãe levaram a melhor. Abandonou a insegurança que de repente sentiu (será que estou a ser má Mãe, fiz algo de errado?) e a tentação de responder na mesma moeda (Pois, eu também não! Ou Que feia que és ao dizer isso!). Percebeu que assim só estaria a criar um fosso , distacionamento e a dar uma deia errada das emoções e sentimentos.

Entendeu rápidamente que aquela frase tinha a seriedade e a duração de uma brisa, que não era sentido, nem real. Era mais uma forma de teste, de provocação da Joana, na qual ela não ia alinhar nem alimentar. Por algum motivo ela era a Mãe e a Joana, a filha.

Agachou-se, e disse-lhe baixinho: Eu gosto muito de ti, mesmo que estejas chateada e essa seja a tua forma de o dizeres. Contudo terás de desligar os desenhos animados e ir dormir à mesma. A Joana fez cara feia mas ainda se atreveu: “e lês-me uma história?”

A Joana tinha regressado e esta frase só se repetiu mais três ou quatro vezes naquela casa. Tinha sido mesmo uma brisa.

Carla Gaspar Duarte – Psicóloga Educacional - https://www.facebook.com/psicologiainfantil.pt     

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