regresso à escola e ensino doméstico

segunda-feira, setembro 29, 2014

Ter os filhos na escola "oficial" e fazer ensino doméstico não é incompatível, pelo menos para nós cá em casa. Bem vistas as coisas, é mesmo uma necessidade absoluta.


O ensino doméstico é, para nós, uma forma de falar daqueles pequenos momentos (muito pequenos mas nem por isso pouco importantes) e daqueles "projetos" que vamos retomando de vez em quando com os nossos filhos no nosso ambiente familiar. Em casa, no jardim, em alguma saída ou passeio, a meio de um almoço em casa dos avós. Por exemplo.
O saquinho com a malha da L., que está arrumado na minha prateleira do quarto, só às vezes se abre. E geralmente não mais de meia hora. Mas é assim, está ali, existe e é uma possibilidade de criar e experimentar.
Os cd's de contadores de histórias estão na sala e ouvimo-los muitas vezes. Acontece ficarmos simplesmente calados, a curtir, Mas também acontece retomarmos alguns pedaços das histórias que ouvimos e brincamos com eles.
As enciclopédias antigas do avô da mãe estão na sala, ao alcance de todos os meninos e não raro eles folheiam-nas. Ora espreitando as taxonomias de classificação dos seres vivos, ora observando reproduções de esculturas da antiguidade clássica. Quando se proporciona, quando nos fazem perguntas, tentamos satisfazer a curiosidade deles com mais pormenores. Partilhamos o que é possível partilhar do imenso saber que a (nossa) escola nos fez acumular e que, na altura, nos parecia eventualmente despropositado.
A caixa com os materiais de pintura/desenho/colagens e etc está num canto da casinha do jardim. E às vezes passamos uma manhã inteira embrenhados num desenho coletivo ou a fazer um novo móbil, só porque nos apeteceu. Outras vezes só queríamos mesmo fazer uma tabuleta para a pista de comboio. E é mais rápido.
Visto assim, o ensino doméstico é parte da nossa vida em família. Está ligado às nossas opções de vida: viver numa casa com muito terreno à volta, não ter televisão em casa, dedicar tempo à família, tentar (quase sempre) fazer em vez de comprar feito.
Neste contexto, a escola "oficial" é um complemento importante. Sem se sobrepor e sem ser um valor em si mesma.
É fácil criticar a escola "oficial": os programas, as metas, os materiais (ou a ausência deles), o pouco contacto com a natureza, as características físicas das salas e dos edifícios, a comida (ai!), as condições de trabalho dos profissionais que estão com os nossos meninos...
Em contrapartida, só a escola "oficial" lhes possibilita o contacto com meninos e com adultos diferentes, que trazem em si visões do mundo, formas de falar e pensar, valores, gostos e aptidões que não podemos controlar. E isso é bom. Por mais que nos doa. Mas, numa família com quatro meninos, a possibilidade de estar na escola oficial dá também espaço aos pais para terem o seu próprio trabalho, o seu tempo consigo mesmos, traz muitos desafios (uns mais agradáveis que outros) e... permite-nos conhecer fazer amigos novos e enriquecer por dentro! Para quê perder esta parte?



Nome: Marta Filipe Alexandre
Blogue: http://martafilipealexandre.wordpress.com/
Facebook: https://www.facebook.com/marta.f.alexandre


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